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VI – Amor com piquinhos

“Que é isto? Um rato “freak”?” – Miguel Guimarães

“Sabias que os picos dos ouriços ficam macios, quando eles estão com pessoas bondosas?” – do romance “Riders”, da autora Inglesa Jilly Cooper

“À minha “irmã”, Paula, incansável na sua árdua tarefa de gerir primorosamente, apesar dos poucos recursos disponíveis, as actividades do PARQUE DA TERRA NOVA, um projecto de iniciativa privada dedicado à recolha, protecção, e, sempre que possível, ao realojamento de animais abandonados – e um espaço cuja “população”, entre habitantes temporários e permanentes, raramente é inferior a… 60 animais” – da Introdução de LIGAÇÕES INDISSOLÚVEIS

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Eis uma revelação: Embora aludamos com frequência uma à outra dessa forma, porque é a que se amolda ao que os nossos corações sentem, não somos realmente “irmãs”, a Paula e eu; as nossas mães é que o eram. Contudo, devido a certas circunstâncias, a Paula foi viver com os nossos avós maternos quando era ainda muito pequenina, e eu passei grande parte da minha infância na casa destes, também. Assim, e basicamente, crescemos e fomos educadas juntas – e muito embora sejamos, em muitos aspectos, bastante diferentes, temos mais afinidades e uma relação mais próxima do que muitos irmãos que conhecemos, o que, para além de outras razões mais subtis, se deve, por certo, ao facto de partilharmos muitas perspectivas, convicções, interesses, gostos, aversões, paixões e amores.

Entre alguns desses grandes amores partilhados, conta-se, por exemplo, o da Natureza e dos animais – “infundido” no nosso ADN pelo nosso avô. Isto, combinado com a nossa também partilhada e também grande paixão por “salvar, proteger, e tratar” – herdada, por seu lado, da nossa avó – tem-nos feito “embarcar”, desde tão cedo quanto é possível recordar-nos, em toda a sorte de aventuras, dos mais diversos graus de complexidade.

Quando penso nisto, tenho que reconhecer que, no meu caso, a aventura mais audaz em que me envolvi, foi, talvez, ter-me dedicado, há alguns anos, à recuperação de cavalos lesionados ou com problemas comportamentais – especialmente cavalos de desporto – uma actividade tão estimulante como dura, e tão gratificante como deprimente – esta última característica ficando a dever-se, essencialmente, ao facto de grande parte dos proprietários dos cavalos não se importarem “nem um pepino” com o seu bem-estar, e de os tratarem como “máquinas de saltar”, retirando-os dos nossos programas de recuperação cedo demais.

Esta, contudo, é outra história, que talvez desenvolva um dia… mas não hoje, porque hoje é das aventuras da Paula – e de uma muito especial, em particular – que quero falar-vos. E creiam-me – não só são as aventuras da Paula muito mais ousadas do que qualquer das minhas, como também acontecem – ou ela faz com que aconteçam – com impressionante regularidade!

De facto, na propriedade herdada dos nossos avós – o Parque da Terra Nova (1) – onde a Paula vive com a sua família, há sempre algo de extraordinário a passar-se, ou algum projecto audacioso a decorrer – a par com a, já de si, extraordinariamente arrojada actividade principal que ali se desenvolve, de resgate (e tratamento, e esterilização, e reeducação, e, sempre que possível, realojamento em novos lares) de cães abandonados e maltratados.

Assim, ao longo dos anos, a Paula também tem resgatado e/ou adoptado cavalos – entre os quais uma égua “Puro-Sangue”, a Didi, que, sob os seus cuidados excepcionais, viveu até perto da incrível idade de 40 anos (quase um recorde!) – um burro, várias cabras, um ou outro gato (que, contudo, logo trata de reencaminhar para outros centros de resgate, já que, como ela própria diz, “para mal dos gatos, aqui há demasiados cães!”), e uma colecção mais numerosa e variegada de outras criaturas de penas e pêlo do que é possível mencionar aqui, especificamente – exceptuando uma:

Neste caso, uma criaturinha selvagem, representando uma aventura tão singular, e – com o devido respeito e desculpas pela não obstante carinhosa irreverência – tão simbólica da vocação inata da Paula para… “Madre Teresa dos Animais”, que não posso deixar de lhe fazer especial referência.

De facto, este animalzinho é o protagonista da ternurenta história que passo, sem mais delongas, a contar-vos:

Entre as suas muitas responsabilidades, conta-se, para a Paula, a de olhar pela sua netinha, enquanto a mãe dela – por sinal minha afilhada – está a trabalhar. Às vezes, no entanto, quando a minha “irmã” está ainda mais ocupada do que naquele a que eu chamo o seu “estado normal de ocupação”, a Maria (agora com dois anos e meio, e uma turbulenta e lindíssima réplica em miniatura da Paula, quando tinha a mesma idade – e, como ela, “louca” pela Natureza e pelos animais) fica ao cuidado de outros familiares.

Assim, um belo dia, quando a Paula regressou a casa depois de uma manhã atarefadíssima – tratando, algures, de um milhão de assuntos diferentes – a outra avó da Maria, que ficara a tomar conta dela na ausência da minha “irmã”, mostrou-lhe um “objecto” redondo, minúsculo, e hirsuto, completamente imóvel, no tapete à entrada da cozinha:

“A “Preta” – uma das muitas cadelas residentes no Parque da Terra Novatrouxe “isto” para aqui há bocadinho. Entretanto, eu fechei-a, e aos outros cães, na lavandaria, para não “lhe” fazerem mal… mas é melhor a Paula ver o que é, ao certo, que eu não me atrevo a tocar-lhe!” – Acrescentou, com um arrepio.

Intrigada, a Paula largou a carteira, os sacos de compras, e o mais que trazia consigo – e, com o acompanhamento de um coro estridente de latidos, vindo da lavandaria, ali ao lado, e dos gritos de júbilo da Maria, ajoelhou-se no tapete, e, delicadamente, pegou na criaturinha, do tamanho de uma noz:

“Olha… é um ouriço-cacheiro bebé!” – Exclamou. E, virando-o, com cuidado, na palma da mão: “Mas está tão quieto e tão frio… estará morto?!”

Determinada a verificá-lo sem mais demora, a Paula entrou de imediato em acção. E enquanto a sua “comadre” procurava controlar a Maria, que estava frenética e ansiosa por se juntar à operação de resgate, a minha “irmã” levou o animalzinho para o relvado da piscina, nas traseiras da casa, com esperança de que ele, naquele entorno mais natural e afastado de barulhos e cheiros assustadores, começasse a “desenrolar-se”.

Contudo, e depois de ter esperado durante o tempo que considerou razoável sem que nada acontecesse, a Paula – que jamais desiste seja do que for sem primeiro tentar uma variedade de estratégias alternativas – passou, acto contínuo, a um improvisado “plano B”. E assim, a inerte criaturinha foi levada, novamente, para dentro de casa – mais precisamente, para o quarto da Paula – onde foi carinhosa e cuidadosamente instalada num “transportador” para cães, bem embrulhada em toalhas de felpo, e ladeada por duas botijas de água quente.

E após mais uma interminável espera – daquelas de fazer roer as unhas – começou, finalmente, a tornar-se claro que o “plano B” fora mesmo… “B”, ou seja, bom! Muito devagarinho, mas resolutamente, o pequenino ouriço começou a mexer-se e a esticar-se, mostrando a uma encantada Paula que estava vivo e bem vivo!

Em breve, porém, uma certa apreensão começou a juntar-se ao encanto. A pele da criaturinha, sob o seu pêlo áspero e eriçado, ainda desprovido de picos, era de um cor-de-rosa vivo e brilhante, e os seus olhitos estavam ainda fechados – o que significava que, além de um bebé, o bichinho era, de facto… um recém-nascido!

Pois bem, não tendo grandes conhecimentos sobre esta espécie, a Paula não fazia a mínima ideia de como lidar com um ouriço ainda tão novinho e totalmente dependente. O que ela sabia, isso sim, era que o animalzinho não podia, de forma alguma, ser devolvido à Natureza, pelo menos por enquanto. Ninguém sabia onde a “Preta” o encontrara, ou onde a mãe e o ninho poderiam estar, e, colocar a indefesa criaturinha no jardim ou nos campos, redundaria em morte certa – nos dentes de predadores, ou de fome. Para a Paula, não havia, pois, outra opção – tinha que ficar com o ouriço, e aprender, simplesmente, a tratar dele, depressinha!

E assim, no momento seguinte, já a Paula estava ao telefone com um dos veterinários com quem trabalha, e que, além dos perfeitos cuidados que presta a todo o tipo de animais domésticos, é também especialista em espécies mais exóticas. Ora, quando a Paula lhe falou do “assunto espinhoso” que tinha em mãos, o excelente veterinário, apesar de entusiasmado com a novidade, foi bastante reservado no seu parecer: “Ummm… Paula, olhe que isto pode ser um berbicacho! O que tem aí, é um ouriço-cacheiro Europeu, selvagem, e, pelo que me diz, recém-nascido. E…” – explicou – “… ao contrário dos ouriços Africanos, que, com os devidos cuidados, não são difíceis de criar nem de domesticar, e dão excelentes animais de companhia, é virtualmente impossível criar e manter ouriços Europeus em cativeiro!”

“Bom…” – retorquiu a Paula – “… eu entendo tudo isso, mas… a verdade é que não posso, de forma alguma, devolvê-lo à Natureza! O pobrezinho ainda nem abriu os olhos, não teria qualquer “safa”! E além disso…” – acrescentou – “… ele parece estar esfomeado, e por isso temos que fazer qualquer coisa, depressa!”

“Certo, certo…” – assentiu o veterinário, que, reconsiderando, acrescentou, num tom decidido: “Muito bem, Paula, vai fazer então o seguinte: prepare um pouco de leite de substituição para cachorrinhos, e veja se o ouricinho o ingere. Entretanto, mantenha-o quentinho, que eu vou aí vê-lo logo que possa!”

Mais tarde, a Paula telefonou-me, ansiosa por partilhar as novidades, que eu, como grande fã de ouriços-cacheiros que sou – embora a minha experiência em lidar com esta espécie se resumisse, então, a salvá-los dos dentes da nossa cadela “Bota”, geralmente a altas horas da noite – recebi com entusiasmo. O bebé ouriço tinha sido identificado como um macho pelo Dr. Alexandre, que o observara cuidadosamente, e o declarara de perfeita saúde.

O “Picos” – assim a Paula o baptizara – adorara o leite de substituição para cachorrinhos, que ela estava agora a dar-lhe mais ou menos de quatro em quatro horas, num pequenino biberão de plástico, e, por outro lado, parecia muito satisfeito com o seu improvisado “berço”, no transportador de cães – que ela, com a aquiescência semi-resignada, semi-divertida do marido, ainda mantinha no seu quarto, de forma a poder alimentar o ouriço durante a noite.

Toda a família – acrescentara a Paula – estava encantada com o eriçado personagem – ou o “rato freak”, como o seu filho Miguel, divertidíssimo com este último “protegido” da mãe, o apelidara – especialmente a pequena Maria – e, agora, ela estava ansiosa que eu e o Joseph o conhecêssemos, também!

Por esta ou por aquela razão, contudo, isto não viria a acontecer de imediato – mas, entretanto, eu e a Paula – ela, claro, mais na prática, e eu mais em teoria… – fomos fazendo tudo o que podíamos para aprofundar os nossos conhecimentos acerca dos ouriços Europeus – recorrendo, designadamente, à internet, em busca de informação mais especializada que pudéssemos partilhar, e que pudesse complementar as instruções fornecidas pelo Dr. Alexandre – que, por sinal, e embora continuasse a acompanhar o caso com o maior interesse, ainda mantinha algum cepticismo quanto ao desfecho de todo aquele… cometimento.

Cepticismo ou não, o facto é que, quando finalmente surgiu a oportunidade de eu e o Joseph ficarmos a conhecer o “Picos”, a combinação da determinação da Paula com a sua intuição, baseada no seu natural instinto de “cuidadora”, e ainda com a sua atitude positiva e alguns utilíssimos conselhos, recolhidos num maravilhoso “site” (2), parecia, de facto, ter já produzido excelentes resultados.

Convidada para jantar, com o marido, em nossa casa, um mês – mais dia, menos dia – depois de a “Preta” lhe ter depositado o ouriço bebé no tapete, a Paula irrompeu pela minha cozinha dentro, toda sorridente, com o “Picos” no transportador de cães! “Se a tia não vai ao ouriço, vem o ouriço à tia!” – “Citou” ela, com um maroto piscar de olhos.

E assim foi, de facto – o ouriço veio à “tia” (eu, claro) e que encantadora visão ele era! Ainda minúsculo, mas visivelmente rechonchudo, vivos olhinhos cor de azeviche, narizito pontiagudo farejando tudo com curiosidade, e com o tom da pele convertido no mesmo castanho-escuro dos tufos de pêlo áspero emergindo dos lados do seu – agora verdadeiramente “espinhoso” – dorso, o “Picos” foi posto à solta na cozinha – por precaução, os nossos cães tinham, entretanto, sido devidamente “enviados” para as suas caminhas, na garagem – que logo começou a explorar, com grande à-vontade.

Perdidos na observação da fascinante criaturinha, quase esquecemos o nosso jantar! O “Picos”, no entanto, não se esqueceu do dele, que consistia em “paté” de frango para cachorrinho, e que devorou num ápice, mal lhe foi servido! Mais tarde, na nossa sala de estar, fomos presenteados com uma exibição do carácter extraordinariamente amistoso do ouricinho; deixou que lhe pegássemos sem qualquer resistência, e que o acariciássemos, depois brincou às escondidas por entre almofadas espalhadas no chão – e finalmente mostrou-nos, aninhando-se junto da Paula, que eram horas de dormir, e que, por conseguinte, queria ir para casa!

Quando primeiro decidi escrever esta história – o que fiz em Agosto de 2008, publicando-a, originalmente em Inglês, num fórum literário internacional – já uns bons dois meses tinham decorrido desde aquele meu primeiro e empolgante encontro com o meu “sobrinho” “Picos”. Este, entretanto, atingira quase o tamanho de adulto, fora desmamado, e tinha agora uma dieta variada, composta de ração de lata para cães (a de frango continuando a ser a sua preferida), alguns cereais, um pouco de ovo cozido esmagado de vez em quando, fruta (especialmente maçã, que adorava), e uma ou outra mosca – o “rapaz” é exigente, no que toca a insectos!

Por outro lado, o ouriço ainda dormia no transportador de cães – e no quarto da Paula – mas passava agora a maior parte do dia num “parque especial para ouriços”, que a minha infinitamente engenhosa “irmã” instalara, para ele, no terraço do primeiro andar da casa, longe dos cães e de outros eventuais perigos. Tratava-se, na realidade, de um grande quadrado de “relva de tapete” (daquela que vem em rolos, que se assentam directamente sobre a terra), colocado dentro de um “parque” para bebés – por sua vez equipado com retalhos de “turco” para ele se embrulhar, uma pequena pia com água, e os seus pedaços de fruta para o dia. As refeições principais, contudo – uma de madrugada, outra por volta das 14h00, e a última à noite, o mais tarde possível – continuavam a ser-lhe servidas pela Paula – que, admitimos, o “sujeitinho” acreditava ser a sua “mãe”, e com quem, de resto, demonstrava querer brincar, de forma bastante atrevida – concretamente, por meio de grunhidos autoritários e de enérgicas “focinhadas” nas suas mãos – adorando, também, ser amimado por ela, e refugiar-se debaixo da sua longa e abundante cabeleira preta!

Em resumo, não só fora o “Picos” criado com êxito, como continuava a desenvolver-se admiravelmente em cativeiro – perante a deliciada incredulidade do veterinário. “Nunca vi nada assim!” – exclamava ele, constantemente. E, rindo, acrescentava: “A Paula devia divulgar esta história através do “National Geographic” ou do “Discovery Channel”, porque este é um caso raro, se não único!”

E a Paula ria-se, com ele: “Sim, sim… e agora, diga lá… não está feliz por se ter enganado?!”

Claro que estava feliz, o Dr. Alexandre – e, como ele, todos nós, mais ainda porque, como agora nos apercebíamos, provavelmente nunca viria a ser possível devolver o “Picos” – o ouriço-cacheiro Europeu – à Natureza. Não só estava totalmente domesticado, como tínhamos boas razões para crer que… nem sequer sabia que era, de facto, um ouriço-cacheiro! Primeiro um ouriço Africano – “emprestado” por uma loja de animais – e depois um Europeu (encontrado nos campos pelo Sr. José, colaborador do Parque da Terra Nova) tinham sido apresentados ao “Picos”. Pois bem, este ignorara, soberanamente, o seu “parente” Africano – que fora devolvido, com agradecimentos e um pedido de desculpas, à loja de animais – e, quanto ao outro “parente” ainda mais próximo (que ainda por cima era uma fêmea…) pois a verdade é que teve que ser rapidamente restituído aos campos, porque o “Picos”, grunhindo furiosamente, lhe dera… uma tareia monumental!

Apesar deste duplo e retumbante “falhanço” em tentativas de socialização “inter-espécie”, e da nossa de certo modo melancólica noção de que ele está a ser privado, como criatura silvestre, da sua liberdade e do seu “habitat” natural, acreditamos – e o veterinário também – que o “Picos” leva uma vida feliz e saudável, a qual esperamos que se prolongue por muitos e bons anos;

Isto, evidentemente, com a incansável, dedicada colaboração da Paula. Porque todos sabemos que, quando o amor a “pica” – o que, como em nenhum outro, acontece neste caso – nada, no céu, no inferno, e menos ainda, na terra, a fará desistir daquilo que ela faz melhor e em que, apaixonadamente, acredita:

Em salvar os animais e a Natureza, como primeiro passo no sentido de nos salvarmos a nós próprios!

~

Notas & Citações

Actualmente, o “Picos” – que, na maravilhosa fotografia acima, tirada pelo Miguel, estava ainda a ser alimentado a biberão pela Paula – é um ouriço adulto, que cresceu muito, e atingiu a maturidade plena. Saiu, há pouco, da sua primeira hibernação – que se processou em cativeiro – e os seus hábitos são agora mais aproximados dos da sua espécie… e menos “humanos”. Assim, passa a maior parte do dia escondido, “saindo” ao anoitecer, para se alimentar, como todos os ouriços. A única diferença… é que não vive nos campos, mas sim num antigo pombal, no Parque da Terra Nova – e tornou-se num “fulanito” pouco sociável, que, embora continue a aceitar que o alimentem, gosta pouco de ser “incomodado”, e todo se “encrespa” se lhe interromperem a sesta, o lazer, ou as suas actividades nocturnas. Enfim… um verdadeiro “ouriço”… ou um amor com (muitos) piquinhos!

(1) – Como já indiquei, de forma sucinta, na história, o Parque da Terra Nova é um local onde, desde há cerca de sete anos, se desenvolve um projecto maravilhoso: O da recolha e protecção de animais abandonados e maltratados, e, sempre que possível, da integração destes em novos lares seguros, que lhes garantam a qualidade de vida que tanto merecem. É com grande dificuldade e muito poucos recursos que a Paula – responsável pela gestão do P.T.N. – vai levando a cabo, com a preciosa ajuda de uma equipa devotada e alguns amigos dedicados, esta nobre missão. Sem quaisquer apoios oficiais, contudo, o P.T.N. precisa do apoio de todos aqueles que amam os animais, e se preocupam com o seu bem-estar – e procuram, nesse sentido, minorar o seu sofrimento. Permito-me, pois, apelar aqui para a boa-vontade dos leitores, convidando-os a visitarem o espaço virtual do Parque da Terra Nova, e a divulgarem-no, bem como ao seu objectivo – ajudando-o, assim, a continuar a ajudar os animais: http://parquedaterranova.com/

(2) – O “site” especializado em ouriços-cacheiros, por certo, um excepcional “site” inglês, é o “Hedgehog Care” – The “Lincolnshire’s famous little hedgehog hospital” (“Tratamento de Ouriços-Cacheiros – o famoso hospital de ouricinhos do Lincolnshire”): http://www.hedgehogcare.org.uk/

14 comentários leave one →
  1. 09/03/08 15:23

    Tenho um ouriço bebe apareceu mesmo a minha porta, para já está dentro de uma gaiola para coelho coloquei lá uma roda grandinha o que me parece muito boa ideia pois ele passa bastante tempo por dia lá a andar. Tenho lhe dado comida de gato e maçã , também já tentei ovo cru mas se calhar é melhor cozido não sei.

    A minha questão é que ele tem algumas pulgas para já não fiz nada o que me aconselham ?

    • Alexandra - P.T.N. permalink*
      09/03/08 19:49

      Boa tarde, Ofélia!
      Se nos permite, temos algumas reservas em relação à utilização da rodinha na gaiola do ouriço. Não é um objecto apropriado para um animal desta espécie, e poderá causar-lhe danos, pelo que será melhor retirá-la. Se a gaiola for grande, já lhe proporcionará bastante espaço para ele se exercitar. Também tomamos a liberdade de aconselhar a colocação de uma caminha num canto da gaiola (pode ser daquelas tipo casinha de peluche, pois os ouriços gostam muito de se “esconder”, sobretudo durante o dia) forrada com uma toalha em que ele possa enrolar-se, se quiser – e que lhe permitirá mudá-la facilmente, sempre que ele a sujar. Quanto à alimentação, é preferível dar-lhe ração de latinha para cachorrinhos, embora a de gato também não seja prejudicial, e pôr-lhe maçã aos bocadinhos, para ele ir comendo. Não é necessário dar-lhe ovo, pois a ração já tem todos os nutrientes que lhe fazem falta, e a maçã já é um bom complemento. Convém também pôr na gaiola uma tacinha com água à disposição, para ele ir bebendo. Finalmente, quanto às pulgas, não pode aplicar nenhum desparasitante externo, nem directamente no ouriço, nem na gaiola! Os produtos anti-pulgas são extremamente perigosos para estes animais! Sugerimos que utilize aparas de madeira para forrar o chão da gaiola (pode encontrá-las nas secções de produtos para porquinhos-da-Índia e hamsters), e que as vá substituindo com frequência. Se tiver cães ou gatos em casa, e andarem pelo local onde colocou a gaiola do ouriço, convém, a esses sim, mantê-los livres de pulgas, bem como aos espaços onde eles dormem – e, em pouco tempo, o ouricinho deixará, também, de as ter. Esperamos, com estas sugestões, ter ajudado – e desejamos que tudo corra o melhor possível com o seu novo amiguinho “picante”! ;0) Um abraço, e um Feliz Natal!

    • Ofélia permalink
      09/03/08 00:16

      Obrigado pela resposta Alexandra. Um excelente 2012 . Em relação a roda não tinha essa ideia ele adora andar lá, que especie de danos pode causar ? psicológicos ? a rede é muito fininha não lhe magoa as patas não e uma roda de hamster já li em outros sites em que dizem que eles devem ter a roda para se exercitarem desde que seja adequada.
      Ele tem uma cama e normalmente tapo com uma caixa de papel ficando com uma abertura para sair na cama não utilizo toalha tenho utilizado feno que trouxe da loja dos animais será adequado ? no chão da gaiola uso papel de jornal como verifiquei que ele gosta de puxar o jornal e depois utiliza-lo na cama passei a misturar por vezes alguns papeis com o feno . Acha que é melhor substituir por toalha e no chão as aparas ? As pulgas são preocupantes pois penso que se tem reproduzido acho que ate tem mais os picos dele em certas zonas chegam a estar um pouco sujos com sangue devido a quantidade de pulgas estou a tentar matar algumas tiro-o para fora coloco-o perto de mim e vão caindo algumas que mato ando a pensar em repelente natural receita está em baixo
      não parece que tenha nada para fazer mal o que lhe parece ?

      Spray Repelente de Pulgas: cortar a casca de um limão, colocar numa tigela e deitar água a ferver por cima. Deixar repousar durante a noite. Usar este “chá de limão”como um spray, num pulverizador, ou embeber numa esponja e esfreguar directamente sobre as áreas afectadas.

      Obrigado mais uma vez

      • Alexandra - P.T.N. permalink*
        09/03/08 09:24

        Olá de novo, Ofélia, e um fantástico 2012 também para si!
        Talvez seja melhor começarmos pelo problema mais preocupante, que são as pulgas. Não me chegou a dizer se tem outros animais – cães, gatos ou coelhos – dos quais o ouricinho esteja próximo, e, em caso afirmativo, se esses animais têm ou não pulgas a precisarem de controle. Isto porque, na Natureza, os ouriços, a não ser que estejam doentes, não são afectados por parasitas externos, ou, se os apanharem, livram-se naturalmente deles, sem precisarem de qualquer intervenção nesse sentido. Por isso, desculpe repetir, mas essa infestação deve-se, certamente, à proximidade de cães ou gatos com pulgas, ou à infestação do próprio local onde a gaiola do ouriço se encontra. Não conheço os efeitos da infusão de limão que refere, mas tem mesmo de tentar identificar a origem das pulgas, e controlá-las nessa origem – e depois, naturalmente, elas deixarão de incomodar o ouriço. Quanto à cama, a caixinha está muito bem – mas o que ele faz com o jornal é o que faria com os pedaços de toalha, porque gostam muito de se embrulhar, e as toalhas, que devem ser mudadas com frequência, permitem manter a gaiola mais limpa. O mesmo se diz quanto às aparas, que são preferíveis ao feno, na medida em que também permitem uma melhor higiene da gaiola. Não se esqueça da água para ele beber. Finalmente, quanto à roda, se é adequada para ouriços africanos (que geralmente são criados e vivem em cativeiro, sendo os que costumam estar disponíveis em alguns pet-shops) – supus que era uma roda para hamsters… – também não deverá prejudicá-lo a ele. O mais importante de tudo, no entanto, é mesmo identificar a origem das pulgas, para poder eliminá-las ou, pelo menos, mantê-las sob controle. O Picos ainda vive rodeado de cães, no P.T.N., mas como o controle dos parasitas externos, quer nos próprios cães, quer nos locais onde eles se encontram alojados, é muito rigoroso e constante, as pulgas não o afectam. Boa sorte, e disponha sempre!
        Um abraço, da
        Alexandra

  2. Helena Marques permalink
    09/03/08 12:40

    adorei o texto, que está excelentemente bem escrito, e deliciei-me com a história do rato freak, obrigada por teres partilhado

  3. Jorge Manuel Gonçalves permalink
    09/03/08 01:18

    Uma homenagem ternurenta à Paula (que fiquei muito curioso de conhecer) e à obra de ambas “O Parque da Terra Nova” !

  4. Andreia permalink
    09/03/08 22:36

    Boa noite. Encontrei hoje um ouriço bebe, que estava a ser “perseguido” por um cao. Decidi traze-lo para cuidar dele, pois temia que lhe acontecesse alguma coisa. Ao inicio ele fechava-se muito, agora passa o tempo aninhado nos meus braços, e deixa até fazer-lhe festinhas na barriga.
    Ja lhe dei agua, fruta e vegetais.. mas temo nao estar a fazer o mais correcto, pode ajudar-me algumas coisas para ele se sentir bem e estar forte e saudavel?
    Atenciosamente…

    • 09/03/08 07:57

      Andreia, é importante saber se encontrou o ouricinho já após o anoitecer ou ainda durante o dia. Se foi já à noite, em princípio a mãe não andaria longe, e o melhor seria voltar a pô-lo perto do sítio onde o encontrou, embora debaixo de uns arbustos ou de forma a que ficasse seguro e a mãe o pudesse voltar a localizar. Se foi ainda durante o dia, convém verificar se ele não está letárgico – isto é, se anda quando o põe no chão, se vai, por ele, enrolar-se numas toalhas de felpo que lhe coloque perto para o efeito, e se mostra interesse na comida e na água. Verifique, também, se ele tem carraças ou outros parasitas exteriores (se tiver, não lhe aplique nenhum anti-pulgas, nem procure arrancar todas as carraças! Quando isto acontece, significa que estão fracos, e a primeira coisa a fazer é tentar fortalecê-los, depois lidamos com este problema). Como não sei, pela sua descrição, em que fase de desenvolvimento estará, talvez possa tentar ver se ele ingere leite de substituição para cachorrinhos (pode encontrar nas clínicas veterinárias). Prepare de acordo com as instruções da embalagem, e dê-lhe com um pequeno biberão para cachorrinhos ou gatinhos – tal como na foto. Se ele beber, deverá dar-lhe aí de 6 em 6 horas – incluindo de noite, pois é quando os ouriços se alimentam na natureza. Poderá também experimentar dar-lhe comida de lata para cachorrinhos (paté) – 1 colher de sopa bem cheia, aí umas quatro vezes ao dia. Não o force, ponha a comidinha num pequeno prato baixinho, e deixe-o ir ao encontro dela. Deverá também providenciar um local sossegado para ele descansar e para se “esconder” durante o dia. Um caixote de paredes altas, bastante espaçoso para ele poder movimentar-se à vontade, e com toalhas de felpo onde ele possa enrolar-se e esconder-se quando quiser, estará bem. Convém ter sempre uma pequena taça com água no caixote, para ele beber quando quiser. Pode colocar-lhe bocadinhos de maçã por perto. Não lhe dê couves nem outros vegetais do género. Para já, a maçã é suficiente, depois, mais adiante, já poderá ir acrescentando outras frutas e vegetais. Procure não o manusear muito, excepto quando tem de o alimentar. Para já, e assim à distância, é tudo o que me ocorre! :0) Mas entretanto, por favor vá dando notícias, para o seguinte e-mail: parquedaterranova@gmail.com
      Desejo o maior sucesso para esta sua “aventura com piquinhos”, e fico ao seu dispor para ajudar no que puder! Um abraço,
      Alexandra

  5. 09/03/08 20:00

    e eu, amiga, que vou todos os dias ao blog e não tinha visto as histórias!!!! pensava eu que era como no blogspot que apareciam as novidades logo! e que novidade esta! que história, que ternura, que grande maravilha que a Vida (sim, Vida com V grande) vos providenciou e a nós todos que sentimos as vossas palavras e nos deixamos tocar pela vossa alegria.

    dá um fonfom meu ao “picos”

    um grande beijinho sem picos
    jorge

    • Alexandra permalink*
      09/03/08 11:34

      Mas nunca é tarde, meu querido amigo, e de facto, como as histórias vão sendo publicadas como sub-páginas de uma página estática (“As Histórias”), e não como “posts” na home page (pois aí só está a introdução), as pessoas só se apercebem se forem mesmo aos títulos! Tenho que arranjar uma espécie de aviso para colocar na home page, sempre que, de futuro, acrescente uma história… e ainda há muitas para vos contar! ;0) Entretanto, fico felicíssima que tenhas gostado da história do nosso “rato freak” – a Paula é mesmo o máximo, tem feito coisas extraordinárias pela Vida com “V” grande! E a ti, Amigo com “A” grande, o nosso muito obrigado pelas tuas palavras tão sentidas… e, da parte do “Picos”, pelo fonfom (também quero um!!!)!
      Beijocas macias, da
      Tia do “Picos” ;0)

  6. Alexandra permalink*
    09/03/08 09:33

    pois meu querido vizinho… não sabes como me comoveu a história linda do “Silva” (que fui logo a correr ler no teu blogue)… e a coisa linda que fizeste por ele! vou deixar no post mais recente (o de agosto de 2008) um comentário… e ficarei à espera de novas notícias deste bichano, que, desde Antas, já me enviou telepaticamente a confirmação do que eu já adivinhara – que tu és um doce!
    beijos sem picos daqui,
    Alexandra

    • 09/03/08 12:28

      A cualificación de doce, vindo de ti, ainda cobra máis profundidade; que vexo con cal sensibilidade amosas o teu profundo respeto polos animais e a natureza. Eu, con Silva, so fixen o que calquera persoa faría.
      Como che respostei no propio post que ti me comentaches, direiche que o Silva segue a ser un gato feliz, ainda que excesivamente traste e osado. Asegúroche que ten posto en risco moi perto das suas sete vidas xa…
      Estas semanas pasadas, está algo fraco e deslucido; pois penso que xa despertou o seu instinto polas mozas gatunas de Antas e xa tivo que lear en algunha refrega en lid polos favores dalgunha gantinha ullá…😉 . Lei de vida!

      Beijos vezinhais

  7. 09/03/08 18:35

    Carísima vizinha:
    Atinaches de plano. A historia resultoume moi atractiva e interesante.
    E, sin tentar siquera emular a magnífica labour desenvolvida pola túa “irmá” Paula; non podo evitar percibir as semellanzas entre a historia do “Picos” e maila do meu gatiño “Silva”. O seu nome responde precisamente a que o atopamos casualmente nunha silveira ainda cos ollos pechados e recén nado.
    O meu post do día 27 de abril de 2008 recolle aquel momento ( http://chousadaalcandra.blogspot.com/2008/04/fraxilidade.html ) .

    Hoxe, a piques de cumprir un ano, é un gato feliz e xoguetón ainda; que pulula polo xardín da casa mianhando co mesmo son que aquel 26 de abril nunhs silveira de Antas.

    Beijos cos meus picos macios, na seguranza de que estou na “casa” dunha persoa bondadosa…

    ( Tamén voltei falar do “Silva” en http://chousadaalcandra.blogspot.com/2008/08 /vigor.html )

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